ENTREVISTA

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O treinador Ari Nelson Grecco, paulista de Francisco da Rocha/SP, mais conhecido no Norte e Nordeste do país como Prof. Ari Grecco - manifestou, recentemente, vontade em atuar como treinador em locais diferenciados dos que costumeiramente atua. Autor de quatro livros sobre futebol , técnico profissional e especialista em neurolingüística esportiva, Ari Nelson Grecco, que ministra cursos e seminários nos mais diversos locais do país, inclusive já ministrou com sucesso seminários na capital paranaense, foi eleito no ano passado como presidente da Associação Brasileira dos Treinadores do Norte e Nordeste (ABTNN). Assim sendo, pretendendo alargar os seus horizontes e diversificar ainda mais os seus conhecimentos no que ele mais gosta de fazer – ser treinador de futebol - gostaria agora de encarar este novo desafio no sul do país, e entrou em contato conosco esclarecendo alguns pontos de sua carreira e demonstrando as várias conquistas de sua vasta e bem sucedida carreira como treinador de futebol, entre outras atividades.

FNR.: Qual o motivo desta vontade em atuar agora no sul do país, caso apareça uma boa oportunidade?

AG.: É justamente a possibilidade em realizar um grande sonho que torna a vida interessante, é o que eu sei fazer de melhor – ser treinador de futebol – e entre tantos clubes, incluindo no exterior, nunca trabalhei no sul do país.

FNR.: Quando e como o senhor começou sua carreira de treinador?

AG.: Comecei no Rio Claro FC , levado pelo falecido amigo Francisco Brito Moreira Pinho, após eu ter parado de jogar futebol, isto aconteceu no ano de 1979.

FNR.: Hoje em dia o senhor tem intercalado o trabalho de treinador ministrando cursos, palestras, seminários, etc. Dá tempo para atender a tudo?

AG.: Dependendo da equipe e do tempo que ela necessita a minha prioridade será a equipe, posso ministrar os cursos em períodos de férias; enfim, é só ter um bom planejamento, além do mais a estrutura dos cursos já está tão bem montada que temos um serviço de envio de cursos através de CD's Room.

FNR.: Qual o público alvo destes cursos?

AG.: Treinadores, preparadores físicos, professores de educação física, árbitros, estudantes e demais profissionais do futebol.

FNR.: Quais os principais objetivos dos cursos?

AG.: Preparar os profissionais da área técnica do futebol de campo na metodologia sistêmica, procurando entender as variáveis contidas no futebol com uma visão ampla e profissional, analisando as suas verdadeiras causas e por conseqüência conseguir atingir níveis excelentes de eficácia no desempenho .das equipes de futebol e níveis arbitragens, propiciando um ambiente favorável ao.desenvolvimento .de talentos. Capacitar e auxiliar no desenvolvimento teórico e prático dos.profissionais do futebol através das vivências, teorias e experiências.

FNR.: Como o senhor desenvolveu o método destes cursos ministrados com destaque em várias regiões do país?

AG.: Aproveitei minha vivência inicialmente como jogador de futebol - goleiro - por alguns anos. Após 1979 como técnico em mais de 22 clubes, trocando idéias, colhendo depoimentos, fazendo minhas próprias pesquisas, tudo isso culminando com o meu próprio desenvolvimento profissional através de cursos especializados e estágios com alguns dos mais experientes treinadores de futebol brasileiros.

FNR.: O senhor poderia citar-nos algumas referências em termos de treinadores que o senhor teve oportunidade em estagiar ?

AG.: Claro, entre os principais Otacílio Pires de Camargo (Cilinho). Flávio Costa, José Macia (Pepe), Carlos Alberto Silva, Carbone, Minuca, Osvaldo Brandão e Diede Lameiro.

FNR.: É importante o treinador também especializar-se ou o senhor acha que tudo que está escrito dentro das quatro linhas não tem segredo após tanto tempo?

AG.: Muito pelo contrário, partindo-se da idéia que cada jogo é um jogo, atualizações e especializações não têm idade nem tempo; hoje em dia você tem que considerar básico até um curso de informática. Por exemplo, se você não conhecer o poder de um computador está fora do mundo. É claro que nem todos os lugares têm condições de ter uma rede de internet instalada, mas é importante pois o mundo está aí - sem fronteiras, e você poderá conhecer num segundo uma equipe que antes você jamais conheceria mais do que o nome, E assim vice-versa, você tem que evoluir com o mundo.

FNR.: E dentro das quatro linhas?

AG.: Dentro das quatro linhas temos que estar sempre em alerta para melhor conhecimento de nossa equipe, suas vantagens e suas deficiências, pois se nós não as conhecermos - na certa o nosso adversário conhecerá. Aí está a grande diferença entre ficarmos parados no tempo e nos diferenciarmos dos demais.

FNR.: O senhor julga então hoje em dia importante uma boa formação intelectual para quem trabalha no mundo da bola, ou para o jogador?

AG.: Para todos nós é importante, como eu disse os tempos mudaram e hoje os clubes do exterior também reparam muito no jogador como ser humano num todo, quero dizer, além de saber jogar muito bem a bola tem que ter cabeça e, por conseqüência, o desenvolvimento intelectual não é tão difícil assim no mundo da bola. É o cérebro que comanda a jogada, mesmo nós afirmarmos ser o coração que comanda nossas ações, e um cérebro bem centrado, estimulado na certa fará melhor papel em campo, pois o futebol de hoje exige muito mais habilidade do que força.

FNR.: E a sua experiência internacional, valeu a pena?

AG.: Sim, em 1994 tive a honra de ser condecorado com a Medalha das Forças Armadas Royal – Rabat - Marrocos pelos trabalhos futebolísticos prestados. Estive novamente fora do país em outras oportunidades conseguindo entre outras tarefas aprimorar ainda mais o meu conhecimento em línguas como o francês (fluente), inglês, espanhol e árabe. Além da especialização em neurolingüística esportiva.

FNR.: E os livros?

AG.: Os livros são uma atividade á parte, conhecimentos que colho e faço questão de editá-los, pois por maior que seja a abrangência de nossa área – futebol – reconhecido no mundo inteiro é carente de literatura especializada, e os meus livros, humildemente, espero que contribuam para diminuir a grande lacuna existente, além do mais gosto muito de escrever – é um bom exercício para a mente nas horas vagas. Tenho um quinto livro em vias de edição, mas no nosso país não é fácil editarmos um livro, todos conhecem as dificuldades.

FNR.: Quais são os já editados?

AG.: Saga de um Treinador, A Língua da Bola, Franco da Rocha, a sua melhor imagem é a de seus filhos, Caixa Preta do Futebol

FNR.: Quantos títulos de campeão o senhor tem acumulado?

AG.: As passagens em vinte e dois (22) clubes até hoje me oportunizou a conquista de nove títulos estaduais e o reconhecimento da imprensa esportiva ACLEP (Associação dos Cronista e Locutores Esportivos do Pará) que me outorgou em quatro temporadas, o titulo de " melhor treinador de futebol".

FNR.: O senhor também fundou Associação de Treinadores de Futebol do Pará e a presidiu por dois anos. Como ela se encontra hoje em dia?

AG.: A ATFP em Belém encerrou suas atividades depois que passei a administração; por causa disso, quando retornei em 2005 para dirigir a Tuna Luso, fiz questão de fazê-la renascer - mas com uma aspiração ainda maior, abrangendo o norte e nordeste. Assim, atualmente, ela passou a chamar-se ABTNN (Associação dos Treinador de Futebol do Norte e Nordeste).

FNR.: Enfim, Prof. Ari Grecco, presenciando este vasto e bem sucedido currículo o desafio agora é o sul, um sonho?

AG.: Sim, é um sonho que poderá tornar-se realidade, como eu disse anteriormente nós temos que evoluir e precisamos alargar os nossos horizontes. Acredito que com toda esta bagagem conquistada a duras penas - posso colaborar com uma equipe aqui no sul. Mesmo assim, se no próximo ano eu estiver em outra região, seja onde for, farei sempre o melhor possível, pois esta é a minha vida – o mundo da bola, não saberia ficar longe dele e não saberia deixar de trabalhar com o afinco necessário. Todas as equipes de futebol são importantes.

Contato com Ari Grecco: (11) 9512 2319

Ruthe Precoma
Quinta-feira, 23 de novembro de 2006
08h31min