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FNR.: Qual o motivo
desta vontade em atuar agora no sul do país, caso apareça uma boa
oportunidade?
AG.: É justamente a possibilidade em realizar um grande sonho
que torna a vida interessante, é o que eu sei fazer de melhor – ser
treinador de futebol – e entre tantos clubes, incluindo no exterior,
nunca trabalhei no sul do país.
FNR.: Quando e como o senhor começou sua carreira de treinador?
AG.: Comecei no Rio Claro FC , levado pelo falecido amigo
Francisco Brito Moreira Pinho, após eu ter parado de jogar futebol,
isto aconteceu no ano de 1979.
FNR.: Hoje em dia o senhor tem intercalado o trabalho de
treinador ministrando cursos, palestras, seminários, etc. Dá tempo
para atender a tudo?
AG.: Dependendo da equipe e do tempo que ela necessita a minha
prioridade será a equipe, posso ministrar os cursos em períodos de
férias; enfim, é só ter um bom planejamento, além do mais a estrutura
dos cursos já está tão bem montada que temos um serviço de envio de
cursos através de CD's Room.
FNR.: Qual o público alvo destes cursos?
AG.: Treinadores, preparadores físicos, professores de educação
física, árbitros, estudantes e demais profissionais do futebol.
FNR.: Quais os principais objetivos dos cursos?
AG.: Preparar os profissionais da área técnica do futebol de
campo na metodologia sistêmica, procurando entender as variáveis
contidas no futebol com uma visão ampla e profissional, analisando as
suas verdadeiras causas e por conseqüência conseguir atingir níveis
excelentes de eficácia no desempenho .das equipes de futebol e níveis
arbitragens, propiciando um ambiente favorável ao.desenvolvimento .de
talentos. Capacitar e auxiliar no desenvolvimento teórico e prático
dos.profissionais do futebol através das vivências, teorias e
experiências.
FNR.: Como o senhor desenvolveu o método destes cursos
ministrados com destaque em várias regiões do país?
AG.: Aproveitei minha vivência inicialmente como jogador de
futebol - goleiro - por alguns anos. Após 1979 como técnico em mais de
22 clubes, trocando idéias, colhendo depoimentos, fazendo minhas
próprias pesquisas, tudo isso culminando com o meu próprio
desenvolvimento profissional através de cursos especializados e
estágios com alguns dos mais experientes treinadores de futebol
brasileiros.
FNR.: O senhor poderia citar-nos algumas referências em termos
de treinadores que o senhor teve oportunidade em estagiar ?
AG.: Claro, entre os principais Otacílio Pires de Camargo (Cilinho).
Flávio Costa, José Macia (Pepe), Carlos Alberto Silva, Carbone, Minuca,
Osvaldo Brandão e Diede Lameiro.
FNR.: É importante o treinador também especializar-se ou o
senhor acha que tudo que está escrito dentro das quatro linhas não tem
segredo após tanto tempo?
AG.: Muito pelo contrário, partindo-se da idéia que cada jogo é
um jogo, atualizações e especializações não têm idade nem tempo; hoje
em dia você tem que considerar básico até um curso de informática. Por
exemplo, se você não conhecer o poder de um computador está fora do
mundo. É claro que nem todos os lugares têm condições de ter uma rede
de internet instalada, mas é importante pois o mundo está aí - sem
fronteiras, e você poderá conhecer num segundo uma equipe que antes
você jamais conheceria mais do que o nome, E assim vice-versa, você
tem que evoluir com o mundo.
FNR.: E dentro das quatro linhas?
AG.: Dentro das quatro linhas temos que estar sempre em alerta
para melhor conhecimento de nossa equipe, suas vantagens e suas
deficiências, pois se nós não as conhecermos - na certa o nosso
adversário conhecerá. Aí está a grande diferença entre ficarmos
parados no tempo e nos diferenciarmos dos demais.
FNR.: O senhor julga então hoje em dia importante uma boa
formação intelectual para quem trabalha no mundo da bola, ou para o
jogador?
AG.: Para todos nós é importante, como eu disse os tempos
mudaram e hoje os clubes do exterior também reparam muito no jogador
como ser humano num todo, quero dizer, além de saber jogar muito bem a
bola tem que ter cabeça e, por conseqüência, o desenvolvimento
intelectual não é tão difícil assim no mundo da bola. É o cérebro que
comanda a jogada, mesmo nós afirmarmos ser o coração que comanda
nossas ações, e um cérebro bem centrado, estimulado na certa fará
melhor papel em campo, pois o futebol de hoje exige muito mais
habilidade do que força.
FNR.: E a sua experiência internacional, valeu a pena?
AG.: Sim, em 1994 tive a honra de ser condecorado com a Medalha
das Forças Armadas Royal – Rabat - Marrocos pelos trabalhos
futebolísticos prestados. Estive novamente fora do país em outras
oportunidades conseguindo entre outras tarefas aprimorar ainda mais o
meu conhecimento em línguas como o francês (fluente), inglês, espanhol
e árabe. Além da especialização em neurolingüística esportiva.
FNR.: E os livros?
AG.: Os livros são uma atividade á parte, conhecimentos que
colho e faço questão de editá-los, pois por maior que seja a
abrangência de nossa área – futebol – reconhecido no mundo inteiro é
carente de literatura especializada, e os meus livros, humildemente,
espero que contribuam para diminuir a grande lacuna existente, além do
mais gosto muito de escrever – é um bom exercício para a mente nas
horas vagas. Tenho um quinto livro em vias de edição, mas no nosso
país não é fácil editarmos um livro, todos conhecem as dificuldades.
FNR.: Quais são os já editados?
AG.: Saga de um Treinador, A Língua da Bola, Franco da Rocha, a
sua melhor imagem é a de seus filhos, Caixa Preta do Futebol
FNR.: Quantos títulos de campeão o senhor tem acumulado?
AG.: As passagens em vinte e dois (22) clubes até hoje me
oportunizou a conquista de nove títulos estaduais e o reconhecimento
da imprensa esportiva ACLEP (Associação dos Cronista e Locutores
Esportivos do Pará) que me outorgou em quatro temporadas, o titulo de
" melhor treinador de futebol".
FNR.: O senhor também fundou Associação de Treinadores de
Futebol do Pará e a presidiu por dois anos. Como ela se encontra hoje
em dia?
AG.: A ATFP em Belém encerrou suas atividades depois que passei
a administração; por causa disso, quando retornei em 2005 para dirigir
a Tuna Luso, fiz questão de fazê-la renascer - mas com uma aspiração
ainda maior, abrangendo o norte e nordeste. Assim, atualmente, ela
passou a chamar-se ABTNN (Associação dos Treinador de Futebol do Norte
e Nordeste).
FNR.: Enfim, Prof. Ari Grecco, presenciando este vasto e bem
sucedido currículo o desafio agora é o sul, um sonho?
AG.: Sim, é um sonho que poderá tornar-se realidade, como eu
disse anteriormente nós temos que evoluir e precisamos alargar os
nossos horizontes. Acredito que com toda esta bagagem conquistada a
duras penas - posso colaborar com uma equipe aqui no sul. Mesmo assim,
se no próximo ano eu estiver em outra região, seja onde for, farei
sempre o melhor possível, pois esta é a minha vida – o mundo da bola,
não saberia ficar longe dele e não saberia deixar de trabalhar com o
afinco necessário. Todas as equipes de futebol são importantes.
Contato com Ari Grecco: (11) 9512 2319 |